Segredos

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Espreitadelas no buraco da fechadura

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

acordes

ao fundo da sala, ainda com as luzes a meio gás, surge na penumbra m som violante... do pescoço descoberto do cabelo aparado, a barba terminada num leve risco de pêra para o charme, para o mistério, para o encanto... fechas os olhos e deslizas a mão direita nas curvas lixadas banhadas a verniz, o verniz que estala quando os teus lábios se encostam ao meu corpo... tão suavemente quanto o toque dessa viola que se encosta no teu colo...
timidez ou sedução - como me baralhas! - palheta em ambos, ambos me intrigam. giras as tarrachas e sinto os teus dedos a apertar com doçura e atrevimento os meus mamilos, sinto-os rijos, atarracho-me na cadeira. tocas um dó! oh tem dó de mim! trastes, casas, tampo, mosaico... vejo-me estendida no mosaico lá de casa à mercê dos teus dedos tão ágeis no meu clitóris encarniçado quanto na boca dessa viola onde tocas apaixonado... acendes o rastilho da viola, o da viola e o meu!...  tudo pronto para outro espectáculo escolhe a postura; eu escolho o ritmo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ra-tim-bum

dói-me a cabeça...
respira fundo.
...
respira!...

levantei-me e dei meia volta, encostei-me às suas costas. pousei as minhas mãos nos seus ombros e, de facto, tensão era coisa que não faltava naquele corpo que me consumia de um tesão absolutamente fora do comum.
deslizei o meu nariz no pescoço arrepiado da respiração e pressionei-lhe os músculos dos ombros, subi aquela mecha de cabelo recente e nos meus movimentos circulares te foste embalando... e, confesso, entreguei-me naquele balanço também explorando cada poro da tua pele, do teu pescoço, da tua pele...
pensei em beijar-te ao de leve mas decidi que havia de ser profissional e continuei aquilo que entendia ser uma massagem instantânea.
a dada altura afastei-me dessa zona já trabalhada e explorei o teu peito onde se viam mínimas saliências do relaxamento... sorri. não comentei. mas cedi aos meus caprichos e beijei-te demoradamente essa nuca tão próxima de mim claro que o meu corpo não protestou. tocaste-me onde as tuas mãos puderam alcançar. sabia que ias corresponder.
sem tirar as mãos de cima dei outra meia volta como se fosse um tango, um molto bello passo doble. no ritmo estonteante, no ambiente caliente que se instalou naquele sala... fomos um par dançante brilhante... num enlace de roupa ainda por despir foi um rufar de tambores até ao remate final!

como te sentes?
bem melhor!
sorrimos os dois.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

a sós

molhei os lábios porque o meu coração disparou... senti desejo de a beijar naquele momento quando a tive tão junto a mim... ali... e só as duas...
os cabelos escuros dela roçavam-se no pescoço de tom nívea, que se adivi
nha tão suave quanto a promessa do creme, serampintado, o tom nívea do pescoço, daquela mulher que me causa arrepios nem sei bem de quê se de desejo se de despejo de mim mesma, um sentimento de alma descabido, inseguro, sem jeito.


... ao fundo as cordas da viola e uma voz de trovador interrompeu-me o pensamento. o meu cabelo descaíu-me da bandolete e escondeu-me os desvarios que pudessem ser denunciados pelo meu olhar; guardei as fantasias para mim. viemos à rua... a noite já se adivinhava longa e embora não quisesse tinha de me vir embora...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

alchemy


imagem retirada daqui

As cores, os cheiros, os sons… que mundo inigualável… que alquimia… que sorte a das bruxas! Os segredos, as mesinhas… sentia-se desvairado, o mais notável nobre do reinado, um galã pomposo, homem honrado e inteligente, de famílias abastadas, tinha tudo quanto queria quando queria. Só não esperava ser inebriado pelo desconhecido
À sua frente, a mais bela dama, razão do seu descompasso, da sua desorientação. Admirava, ao longe, aquela mulher pujante, fatal: os cabelos cor de cobre, a pele clara que nem os nenúfares dos lagos selvagens, os olhos verdes… sentia o seu domínio sobre ele…

Sobre a mesa, um festival de cores e sabores, digno de uma festa da corte em honra de sua majestade, El-rei.
Alguém a seu lado metia conversa sobre as últimas novidades d’além mar mas o seu olhar procurava os lábios carnudos dela; a sua atenção estava focada nas mamas dela; as palavras… não articulava uma sílaba só que fosse pois estava demasiado obcecado com aquele corpo que imaginava rebolar-se entre as frutas e a carne rasgada a dentes; as coxas do melhor ganso, as dela por baixo do saiote, do cálice o vinho tinto que bebia sabia-lhe à doçura da sua cona húmida e molhada, ao longe, a sua gargalhada soou-lhe, no seu devaneio, a um guincho de orgasmo, que o despertou para a realidade naquela sala ornada a ouro e argila. Não se tinha vindo, não lhe tinha saciado a sede. Ria-se apenas. Apenas se ria. Desviava o olhar do vinho e olhava para as frutas mas as fantasias perseguiam-no. Via nos bagos das uvas tintas os mamilos rosados quase espetados que saltavam do decote apertado do vestido. Os seios… ah os seios tão semelhantes às meloas onde repousavam os cachos… que doces deviam ser…
Levantou-se, ajeitou os tomates e o pénis que ocupava mais espaço no fundilho das calças e caminhou até à mesa das frutas onde agarrou numa manga madura e a chupou com tanta vagareza quanto o seu desejo de receber daquela boca um fellatio soberbo. Ela aproximou-se dele agarrou num limão e sussurrou-lhe ao ouvido entre as chupadas: “ - Gostais de um sabor agridoce nobre cavalheiro?” sorriu-lhe mas não respondera e a dama acrescentou: “... no ponto alto da lua cheia há no jardim a árvore do fruto proibído de sabor amargo que se torna doce.” Queria fodê-la ali mesmo satisfazendo o desejo animal que lhe fervia nas veias mas aguardou a chegada da lua.
Quando a viu não esperou um minuto que fosse, agarrou-lhe os cabelos longos e penetrou-a de uma vez só sem dó nem piedade; deitou-a ao chão e deu-lhe a melhor cunnilingus de sempre e ela veio-se para ele sem grandes demoras também. Ela chupou-o até ele se vir; ela também se veio com ele e no fim.  Quando a aurora já anunciava a chegada foderam como nunca antes, vieram em simultâneo e foram-se embora sem trocar olhares nem votos ou desejos ou promessas que fosse. Mas a cada lua que chegava a àrvore abafava os gritos de prazer dele e dela e pela manhã as poças eram orvalho puro.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

shāh māt

no axadrezado da colcha descaída sobre a cama, as pontas desalinhadas não permitem a visualização correcta das simetrias certas, rectas muito embora bem erecto esteja o teu falo, tão impunente quanto el-Rei no seu trono, mandatário das suas rotas, dos seus destinos, a torto e a direito e, natural há-de ser, a um passo por vez. o corpo, da mais bela Rainha de todo o reino cujo valor não é disputado senão entre outras cousas de damas... soy mui admirada pelo Bispo, que não corre nem além nem aquém longe das suas linhas ideológicas, e ambicionada pelas arestas afiadas das ameias de uma Torre donde alcanço grandes vales e montes que os anseio tocar a galope do Cavalo, de cabelo ao vento,  pulando a cerca, em graça... oh meu Rei... se vós soubésseis!... quão magnífico é o desígnio de um Peão, em mim em si, nos seus braços de músculos perfeitos dessa inchada que me deixa! faz-me saber de cor as notas da flautina do nosso bobo da corte e em seguida provoca-me grandes calores desconhecidos arrefecidos no chapininhar da borda do ribeiro e leva-me em tentação a joguitos doutras formas que não a tradicional que vós sabeis de trás para a frente, intervalando numas diagonais de longe a longe, no xadrez desalinhado desta cama burguesa.
faz-me pedir-lhe, suplicar-lhe!, que joguemos às cegas um blizt demorado num tom muito duvidoso, confesso, mas o desejo que me arde por dentro dessa curiosidade pelo novo, e o Bispo bem o conhece junto às paredes dessa Torre tão bem inclinada, é muito maior que a obediência às regras, e jogos, como bem sabeis, são tão furtivos e viris quanto as jogadas dum tabuleiro! joguemos todos ou jogai sozinho? ...

shāh māt meu Rei!


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

balada da neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez... a rapariga -
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma palavra dizia!
Era a timidez que a conduzia
nos rubores na face do carinho
nesse ninho de amor
quente de quem sente...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é vento,
alguém crente é de certeza!

Fui ver. A tua boca caía
no meu corpo arrepiado
do azul cinzento do meu olhar,
branca e leve, branca e fria...
a minha pele ao teu toque
tão delicado!

- Há quanto tempo eu desconhecia!
E que saudades, Deus meu!
É possível sentir saudades
do desconhecido?
Olho-a através da vidraça.
Embrulhada no linho.

Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
... esse caminho de prazer desconhecido.

Fico assim olhando esses sinais,
pasmada, 
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
essas gentes mal-amadas.

E os nossos corpos nus, pequeninos,
a manta deixa inda vê-los;
primeiro, bem delineados,
depois, em formas comprimidas,
porque não podia erguê-los!...
a eles, os orgasmos!?

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!...
Mas as crianças, Senhor,
Dai-lhes o amor nos passos
da descoberta sem fim!

Léo Azevedo 2006


Porque padecem assim?!...
a pensar mal do proibido
que é deveras bom?
Ergo a voz em fininho -
uma profunda sensação -
entra em mim, fica em mim presa...
 Cede ao meu pedido!!
que tens em ti o dom.


Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.
essa tesão suspensa
da paixão presa,
inocente,
imensa!





____________________
adaptação de Augusto Gil, Luar de Janeiro

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

jean pierre...

na janela entreaberta, pelas cortinas que se espreguiçam, a senhora Billie Holliday, a dançar nos meus ouvidos,
o livro aberto nas minhas mãos do Vargas, o céu cumplice comigo e ao mesmo tempo « o que estarás a pensar? a fazer? » e falo contigo nesta exclente tarde...

só falta uma gaivota num telhado e o gato no beiral com a língua de fora a provar da àgua fluvial; o gato preto da srª joaquina, a ver as meninas a bailar as ancas salientes dos corpetes e dos saiotes nas ruas dos pecados modernos, as artes, como lhe chamam agora. no tempo da srª joaquina não era nada assim. os véus tapavam a cara mas não o resto, ela própria confessava aos seus botões e o que havera feito Senhor! à beira daquele rio de amores, aquela praça de música e teatro e encanto! hum!! dizia ela levantando-se vagarosamente, cansada dos anos que se acumularam no corpo. as meninas cantam... o gato descera e enrolara-se nos seus pés envelhecidos e unhas besuntadas de verniz escarlate.

e a chuva começou a cair, os sons dos cadeirões que uma mão afasta, a meia lua do teu sorriso que me ilumina, que faço eu? que escrevo eu que apenas me apetece dançar à chuva e sorrir cantando. a cantar o teu nome pelo teu deserto, ver te com os cabelos molhados enquanto te seguras num poste de rua, uma voltinha, duas voltinhas,

....hum...que tarde.

e deixar-me afundar na tua areia movediça tão apetecível!

e as meninas vão descendo a calçada, sorrindo aos pintores promissores, os filhos de monet, de manet, degas, renoir, os atrevidos de picasso... ai a arte, a arte, a arte no corpo das meninas!... pensava o garçon, o mais impulsivo do grupo, jovem, com o sangue na guelra...
agarrou no cavalete, passou por elas a correr de cavelete abaixo do braço direito e a mão esquerda a segurar a boina e os pincéis e a tábua borrada de todas as cores quanto há no arco-íris! veio alojar-se mais abaixo, no edén das meninas atrevidas mas inocentes, florescendo duas rosetas encarnadas na face miudinha.
as coxas das mademoiselles, tão branquelas, tão redondas, tão apetitosas quanto as coxinhas de frango que a mamá preparava a jean pierre à ceia. "jean pierre vien manger!" gritava-lhe, ela, ao fundo da rua. e a sua grande incerteza - as coxas das mademoiselles ou as da mamá?! o pincel, erecto na sua mão de artista francês, tremia de vigor a querer esborratar aquela tela branca, já assim à semanas, sedenta de prazer, do deslize dos pêlos de marta que preparara pelos seus próprios dedos encardidos da tinta d'óleo, e a tela ali e as meninas passaram. a mamá fechara a porta e na rua subia um misto de odores magnifíques! oh! mon dieu! o cheirinho das coxinhas da mamá e o perfume da madame envolta nas suas peles de coelho selvagem... ah que selvagem deve ser aquela mulher por baixo do pó de arroz e do channel. oh mon dieu!...

quero cantar o teu nome , pelas praças desertas, pelas ruas apertadas como o retrato que me aperta e me embarga a memória. esta casa não é nada sem ti; sinto falta do teu perfume, sinto a falta das tuas gargalhadas, sinto a falta , quando me dizes « daqui a pouco»

"bonsoir jean pierre. avez-vous occupé?"
"madamme?!"